Gestante relata sua experiência no Posto de Saúde do Vila Nova

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“Comecemos do começo. A gravidez é ato humano, biológico cuja mulher se reveste de um bombardeamento de hormônios e questões psicológicas, não vistas antes no decorrer de sua vida. Nosso corpo muda, as células trabalham de forma diferente, a aptidão para a sobrevivência é ativada de forma ímpar, a fim de que a gestação ocorra bem o tempo que tem que durar. Há alterações no apetite, nas vontades, nas sensações, nos perceberes da vida, nós estamos gestando e para isso precisamos estar alertas. Pois bem, eu poderia então jogar a culpa da minha irritação de ontem nos meus hormônios, certo? Afinal, como diria Homer Simpson, “a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser”. Mas, será que é tão simples assim?

Será que eu deveria achar natural ficar duas horas e meia esperando atendimento numa unidade de saúde, para a minha consulta de pré-natal, junto com outras sete gestantes, num calor implacável e cadeiras inadequadas para essa fase da mulher – algumas das grávidas com barrigas muito maiores que a minha, o que torna a espera ainda mais desconfortável – simplesmente porque decidiram que o atendimento por ordem de chegada é o ideal? Pelo amor de Deus, gente, consultas com hora marcada, por favor! Qual a dificuldade nisso? Assim, não judiam das gestantes e ainda adequam o atendimento ao horário de início de trabalho dos médicos, né? Ou será que eu sou a louca dos hormônios e só eu acho uma falta de respeito as consultas serem iniciadas às 14h15, e não às 13h30, como aconteceu? E que fique registrado que não foi a primeira vez, ok?!

Será, minha gente, que eu também deveria achar natural o bebedouro sem água para nós, gestantes, para os demais pacientes e todas as crianças pequenas que estavam na unidade na tarde de ontem? Será mesmo que é culpa dos meus hormônios eu reclamar – em alto e bom tom – que deveriam nos avisar para levar água às consultas, pois assim não veríamos crianças descontroladas em busca de um copo de água num bebedouro que não funciona? Isso tudo sem falar no tempo de espera para um ultrassom obstétrico… Pelas minhas contas, e segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, vou conseguir fazer o exame quando estiver com sete meses de gestação. Imagina se eu tivesse mesmo que esperar… Paguei dois particulares já, afinal eu preciso saber como está a saúde da minha bebê antes dela nascer, né?

De modo geral, com relação à infraestrutura, o postinho de saúde do bairro Vila Nova não é ruim, pelo contrário, é basicamente equipado, isso é bom. Mas, está faltando gestão e humanização, sabe? Gente para inspecionar o local e, constatar, por exemplo, que acabou o papel higiênico do banheiro ou que o bebedouro não está funcionando ou pedir um pouco mais de pontualidade dos médicos ou ainda, nos olhar nos olhos, com um sorriso gentil e um mínimo de educação, e nos pedir desculpas pelo atraso, pelo imprevisto, o que for. A unidade precisa de pessoas acolhedoras e alertas, afinal é um local de acolhimento onde chegam outras pessoas que precisam de cuidados e atenção – ou alguém aqui acha que quem vai a hospitais ou unidades de saúde faz isso por lazer, por prazer?

E aí, algum de vocês pode pensar ou querer me dizer: – ahhh, mas por que tu não pagas um pré-natal particular, então? Respondo: Porque eu já pago – e muito caro – pelo serviço de saúde pública, através dos impostos diretos e indiretos que compõem o sistema tributário nacional provedor dos recursos que promovem os serviços essenciais, entre os quais a assistência à saúde prestada pelo SUS. Tanto eu quanto você temos o direito de usufruir do que já pagamos. Além disso, o que me faz diferente daquelas outras sete mulheres, que estavam ali comigo ontem, e outras tantas, de outros dias, de outros bairros, que buscam as unidades públicas de saúde? Nada! Somos todos cidadãos! Eu acredito e vou lutar, sim, pelos direitos que são nossos! De todos nós!” (Janaina Vasques)

 

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